A praga do analfabetismo

12/06/2015 14:40

A PRAGA DO ANALFABETISMO

 

O IBGE divulgou seu estudo sobre a educação no país. Os dados se referem ao ano de  2013. Nesse ano,  o Brasil registrou 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais – contingente de pessoas que supera a população de São Paulo (11,8 milhões) e representa 8,3% do total de habitantes do país. A taxa volta a cair depois da primeira estagnação, em 2012, após 15 anos de declínio. O valor de 2013 (8,3%) é 0,4 ponto percentual menor que o registrado em 2012. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e foram divulgados recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

Aos 15 anos, um indivíduo deveria estar entre o final do ensino fundamental e o início do ensino médio, antigo colegial. É considerado analfabeto quem não é capaz de ler nem de escrever um bilhete simples. Essa taxa é menor entre pessoas com menos de 30 anos. Entre as pessoas com menos de 30 anos, a taxa de analfabetismo ficou abaixo de 3% em 2013. Na faixa de idade entre 40 a 59 anos, a taxa é de 9,2%. O índice de idosos analfabetos, com 60 anos ou mais, alcançou 23,9%. E o IBGE explica que a taxa de analfabetismo vem caindo entre os jovens de até 25 anos. A partir da faixa etária de 40 anos, a taxa é alta, devido à falta de acesso à educação anteriormente.

A maior queda entre as regiões ocorreu no Nordeste, onde a taxa caiu de 17,4%, em 2012, para 16,6% em 2013. Mesmo assim, a região ainda é a que tem o maior índice e concentra 53% de todas pessoas que não sabem ler ou escrever do país. A região Sul foi a que registrou a menor taxa de analfabetismo, com 4,2% em 2013. Já a região Sudeste concentra 24,2% do total de analfabetos. Quanto à idade, a pesquisa mostrou que o maior índice de analfabetos se concentra no grupo de pessoas com 40 anos ou mais, 37,6%. Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela Pnad estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado “erro amostral”. Segundo o IBGE, não há uma margem de erro específica para toda a amostra. O IBGE ouviu 362.555 pessoas em 148.697 domicílios pelo país.

Quem não teve a oportunidade de aprender acha que passou do período para isso, ou, pior, que não é capaz de aprender. É um discurso comum dizer que investir esforços para matricular jovens e adultos é “difícil e oneroso”, além de resultados duvidosos.

É possível que dados como os apresentados pelo IBGE jamais tenham passado pela cabeça de um querido pastor e grande amigo, que faleceu há alguns anos. Foi um homem apaixonado pela educação e acreditava que somente através desta é que o ser humano seria libertado das trevas da ignorância. Políticos, empresários, investidores e, principalmente, as grandes instituições, se aproveitam da ignorância, da falta de escolaridade para explorar de forma impiedosa pessoas, tornando-as escravas no trabalho em pleno século 21. Aquele pastor entendia que ele podia sempre fazer mais do que fazia. E tinha forças para isso.

Assim, quando se aposentou, foi morar em uma pequena cidade litorânea, no estado do Rio de janeiro. E ao chegar ali, descobriu, com tristeza, que havia uma Igreja Batista no bairro que em fora residir. Só que fechada há cerca de cinco anos. Ele chorou ao ver aquele patrimônio sendo consumido pelas plantas e as paredes devastadas pelo tempo.

Foi então que, associando esforço e inteligência, comprou um pequeno sistema de som, colocou sobre seu velho Chevette e saiu anunciando pelo bairro: “Atenção, atenção, começaram hoje as matrículas para a alfabetização de jovens e adultos na igreja batista deste bairro. As aulas são gratuitas. Faça a sua inscrição! Venha aprender a ler e escrever. E o futuro sorrirá para você!”. Simples assim. E depois de duas semanas de divulgação, tinha cerca de 30 pessoas matriculadas. Ele só contava com sua esposa. E dividiram o grupo em duas turmas. E assim aquela amado casal conseguiu alfabetizar aquelas 30 pessoas.

E a sua estratégia consistia em contar histórias bíblicas, falar sobre a liberdade e salvação que Jesus veio trazer, antes de começar as aulas. Aquelas pessoas o ouviam com respeito e gratidão. E fazia o convite para participarem do culto aos domingos. E gradualmente, aquelas pessoas iam chegando, gostando e ficando. Após um ano de árduo trabalho de ensino, evangelismo, visitação e cooperação com aquela comunidade, ele viu o resultado, batizando cerca de 15 pessoas daquele grupo.

Com o tempo e cooperação daqueles irmãos, fez vários mutirões e novas salas foram construídas. O líder daquela comunidade, vendo o esforço daquele pastor e das pessoas que ele atendia, solicitou ao prefeito o envio de professores de adultos. E assim a escola cresceu, a igreja se fortaleceu e se tornou uma referência educacional na região. E ainda hoje, continua atendendo centenas de adultos, alfabetizando-os e oferecendo também formação profissional.

Este é um exemplo perfeito de que números não podem nos desanimar. Precisamos aprender a ver como Jesus via. Em Mateus 14.14, lemos que “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão dela”. Os números apontados pelo IBGE devem ser desafios para nós, como igreja. Salomão escreveu em Pv. 29.18:  “Por falta de visão, o povo perece...”

Precisamos olhar ao redor e ver os campos que estão brancos para a ceifa. No lugar de criticar governos, políticas públicas e projetos educacionais, precisamos descobrir no entorno onde a igreja está localizada, a oportunidade de serviço. O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Quando fazer e com quem fazer? Os números divulgados pelo IBGE precisam ser grande motivação para uma ação imediata. A educação de jovens e adultos é uma grande oportunidade para a igreja exercer o binômio evangelização e educação. O analfabetismo é uma praga. A Igreja tem a Palavra que cura, salva, transforma e liberta. Precisamos agir enquanto é tempo. Porque a noite vem..

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