Arte, Literatura e Fé Evangélica

14/12/2016 14:56

 

 Arte, Literatura e Fé Evangélica 

 

 

Ao preparar o presente escrito, deparei-me com um dúplice desafio: falar brevemente da importância da Academia Evangélica de Letras do Brasil, no que concerne ao fomento da literatura e das artes no seio da fé Cristã ou tecer breves comentários sobre os gigantes notáveis que precederam cada um de nós “ mortais imortais” 

Diante desta via bifurcada, optei por um caminho incomum. Ater-me-ei não a envergadura da academia, nem ao brilho dos notáveis, mas, antes de tudo, à importância vertebral das artes e da literatura para a fé Evangélica. 

Desse modo, revisto-me da condição de homem-artífice, para melhor combinar a arte literária com a apologia da coletiva – tão cara a nós cristãos. É a graça de Deus e os reclamos humanos que concedem à literatura a proteção do saber, o arrimo da compaixão e o exercício da piedade por meio das letras. 

Neste ano de 2017, em que celebraremos os quinhentos anos da reforma protestante, confesso não apenas acreditar na providência divina e na admoestação da busca pelo belo e sublime, mas também no direito que nos assiste de exaltar, através da narrativa, esta enigmática providência que nos capacita a reformar, criar, inovar ensinar, retratar e guardar aquilo que somos e aquilo que produzimos, como forma de registrar os anseios mais profundos de nossa alma. 

Ainda que num primeiro momento, essa simplória ode à arte na perspectiva divina pareça um pouco exagerada, tenho-me por satisfeito se conseguir encucar na cabeça de meu leitor a importância da arte e sua conexão com nossa fé. Gosto de dizer que literatura precede até mesmo a fé, elemento este que nos é tão caro, pois é pela leitura da Revelação escrita de Deus que somos habilitados a crer naquilo que passamos a conhecer. É pela leitura e pela produção artística que uma sociedade permanece em seu eterno e constante diálogo, onde uma geração transmite a outra geração suas crenças, suas 

tradições e a sua história. É o farfalhar das letras que lança sobre o homem a possibilidade de localizar-se quanto tal no urso da história. Em termos mais simples, a literatura é a alma de uma sociedade, que de tempos em tempos é transmitida às novas gerações. 

Se como evangélicos, queremos que a fé de nosso povo seja continuamente transmitida às novas gerações, e que o mote da reforma ecoe retumbante pelos séculos vindouros, é imperativo que cumpramos não apenas como indivíduos o nosso papel no que se refere ao cultivo da literatura e das artes, mas também que figuremos como bastiões da guarda de nossa memória literária, artística e historiográfica. Encontramo-nos às vésperas de um ano que exigirá muito de nós, o Pentacentenário da Reforma Protestante exigirá muito de nós e trará novos desafios para os próximos quinhentos anos. 

A Reforma calcada em princípios tão fundamentais para a sociedade moderna, foi a responsável pela maior expansão literária em massa que a história da humanidade já testemunhou. Trazer de volta a prerrogativa do livre exame das escrituras sagradas e o farto incentivo à produção de livros e recuperação dos grandes clássicos ocidentais, foram bandeiras levantadas por nossos pais no passado e devem continuar sendo as nossas no presente, 

O amor às letras e à fé Cristã, foram os pilares norteadores para a fundação desta nobre academia, composta por tão ilustres acadêmicos dos quais considero-me o caçula. No entanto, espero que minhas singelas palavras reverberem por entre os anais desta academia e ecoem nos corações de todos os que se dispõe a fitar estas singelas linhas com sinceridade, para que jamais nos esqueçamos da importância crucial das Instituições para a guarda e enriquecimento da memória de nosso povo. 

O Senhor nos concedeu o privilégio de pertencer a esta Academia e de nela conviver, trocar experiências e usufruir do que há de mais apurado no pensamento evangélico nacional. A nós não cabem glórias, e quanto a Academia, não a posso ver, nem a quero ver, como local de fruição de glórias, principalmente das quais somente nosso Deus é titular. Vejamo-la antes de tudo como uma instituição evangélica, cultural e nacional, que pretende figurar 

sempre como uma das mais respeitáveis do país, onde pelo discurso e pela criação literária se pensam e se representam, não apenas os anseios de nosso povo, mas também a posição a relação do homem com seu Senhor. 

Que o Senhor possa abençoar os próximos quinhentos anos de fé evangélica, garantindo aos seus filhos o zelo por sua palavra, o amor pelo próximo e a paixão pelo dom das letras e das artes. 

 

 

 

Maurício Melo de Meneses 

Acadêmico 

 

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