O caso Arafat, os riscos e benefícios da radiação nuclear

30/04/2015 18:04

O caso Arafat, os riscos e benefícios da radiação nuclear

Por @RubensTeixeira

A mídia divulgou recentemente que exames realizados na Suíça indicam que Arafat pode ter sido envenenado. Cientistas teriam detectado níveis de substância radioativa 18 vezes acima do normal nos ossos do líder palestino. Posteriormente, cientistas russos afirmaram que a morte de Arafat teria sido natural e não causada por radiação. Resolvi escrever este artigo sem desejar entrar no mérito da discussão se os testes realizados nos restos mortais do líder palestino foram realizados, ou não, dentro dos padrões críveis e com a isenção que dê conforto a todos que eventualmente tenham os maiores interesses no esclarecimento das causas da morte de Arafat. Todavia, quando eventos dessa natureza se tornam notícia, todo o temor que envolve as questões nucleares infelizmente é revivido.

O mundo tomou conhecimento dos efeitos da energia nuclear por meio dos bombardeios das cidades de Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial. A seguir, houve outros acidentes nucleares, dentre eles, o que ocorreu com a usina nuclear de Chernobil. No Brasil, houve uma grande comoção nacional por conta dos sinistros decorrentes do grave problema que houve com o césio-137 em Goiânia. Mais recentemente, o ocorrido na usina nuclear de Fukushima no Japão, provocado por um tsunami e um terremoto, gerou efeitos que ainda são notícias e motivos de preocupações. Tudo isso faz com que a sociedade fique muito desconfiada e assuma uma postura refratária quanto a esse tipo de energia.

Um dos ‘componentes’ da área nuclear que desperta receio na população é a radiação. Ela não tem cheiro, gosto, e é invisível. Além disso, quando alguém é contaminado ou exposto a elevadas doses pode morrer ou desenvolver doenças (geralmente câncer) sem sequer perceber. Tudo isso assusta, porém somos submetidos todos os dias à radiação natural, dos televisores e dos computadores, sem que isso deixe as pessoas preocupadas. Na verdade, o que eleva o risco de danos à saúde são as altas doses e são delas que devemos nos proteger.

Apesar dessas características, os trabalhos que envolvem a energia nuclear e, por conseguinte, a  radiação, são seguros e confiáveis. A radiação nuclear pode ser mensurada por meio de detectores. Casos como este, que pode ter matado o líder palestino, não deve ser relacionado ao uso da energia nuclear, mas, se ocorreu, foi de forma proposital como poderia ocorrer em qualquer outra forma de envenenamento. Para exemplificar a dimensão do uso da energia nuclear em países desenvolvidos, mais de 75% da energia elétrica da França é produzida em usinas nucleares. No Brasil, é algo em torno de 3%.

A questão envolvendo a área nuclear vem ganhando espaço no Brasil. A construção de novas usinas nucleares, o domínio, em escala industrial, do enriquecimento do urânio, a ampliação da utilização de fontes radioativas nas áreas de diagnósticos e terapias médicas e o aumento da capacidade de produção de radiofármacos (materiais radioativos usados em tratamento médico) são provas disso.

A energia nuclear é uma forma de energia limpa porque, na sua produção ou consumo, não libera gases ou resíduos que contribuam para o aquecimento global. Por conta disso, pode ser uma alternativa energética estratégica importante para o Brasil com a finalidade de fazer frente ao grande aumento da demanda de energia, associada às necessidades de controle de poluentes que prejudicam o meio ambiente.

Os rejeitos nucleares podem ser reaproveitados ou armazenados em locais confinados, seguros e monitorados. Por outro lado, os gases derivados da queima de combustíveis fósseis vão para o meio ambiente. As formas de geração de energia são complementares e, dado à viabilidade econômica dos combustíveis fósseis, estima-se que o mundo ainda precisará deles por muitas décadas. Enquanto isso, vai sendo introduzida na matriz energética outras formas de energias alternativas e limpas, como a eólica, solar, das marés, hidráulica e outras, como o biogás e biocombustíveis.

Convido o leitor a assistir a entrevista em que falei, na Globo, sobre o uso e riscos da energia nuclear, no programa Domingão do Faustão, na época do acidente no Japão e entenda mais detalhes sobre o tema.

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