Oportunidade: o que pode mudar uma história

30/04/2015 17:51

Oportunidade: o que pode mudar uma história

Por Rubens Teixeira

Uma oportunidade pode fazer toda diferença na vida de uma pessoa. Principalmente quando esse alguém é oriundo da pobreza extrema. Em minha infância, meu pai ganhava menos de dois salários mínimos para sustentar minha família. Possuíamos uma condição financeira muito difícil e, para ajudar em casa, lavei carros, vendi ferro velho, trabalhei em obras. Lutávamos muito para superar tamanho descrédito.

Paulo Teixeira, meu irmão mais velho, logo que se formou sargento do Exército, reformou o local onde morávamos e investiu na formação dos irmãos. Eu fui o mais beneficiado de imediato porque ele pagou muito caro pela minha preparação, oriundo de colégio público, para as escolas militares para as quais eu estava fazendo concurso. Foi difícil me matricular para fazer o terceiro ano do ensino médio no colégio que eu escolhi e que, em uma prova para um bolsão, ganhei zero por cento. Ao fazer uma prova para sargento da Aeronáutica, acertei apenas 4 questões, de 40, de física e química. Conferindo, pude perceber que não sabia qualquer uma delas: chutei certo na múltipla escolha. O que demonstrava meu total despreparo. O colégio que escolhi era um preparatório forte, no qual eu fui chamado de semi-idiota, e me disseram que não iria passar em concurso algum. E ele, mesmo assim, se dispôs de uma maneira muito entusiasmada a pagar meus estudos. Graças a Deus, e a seus incentivos, tenho seis cursos acadêmicos, além de outros cursos não acadêmicos.

Paulo foi o primeiro irmão que se colocou profissionalmente e investiu tudo que recebeu no início da carreira para ajudar sua família, por isso, eu o cito em minha biografia e no best-seller “As 25 leis Bíblicas do sucesso”, que escrevi em coautoria com o juiz federal William Douglas.

Paulo Teixeira se formou em Matemática e leciona até hoje para alunos de comunidades carentes no Rio de Janeiro. Chegou a dar aula na fronteira Amazônica, em Tabatinga, onde pôde amparar jovens e dar-lhes aulas de Matemática e Português, na tentativa de ajudá-los a passar em concursos públicos, vestibulares etc. Quando esteve nessa localidade, viu de perto o sofrimento de pessoas que não têm acesso à educação minimamente digna, em verdadeiros bolsões de pobreza, e pôde levar um pouco da luz do conhecimento e da esperança que a educação pode proporcionar aos que não possuem qualquer recurso.

Infelizmente, a maioria dessas pessoas que vivem esquecidas e desprezadas na miséria não tem se quer uma única oportunidade. No Brasil, muitos gênios, muitas pessoas com cérebros privilegiados são descartadas pela falta de oportunidade, por ostracismo e por mediocridade daqueles que poderiam oferecer-lhes o mínimo de educação, o mínimo de tratamentos de saúde, o mínimo de dignidade.

Esta desigualdade torna o Brasil uma democracia frágil, pois não há como pensar em desenvolvimento sem resolver questões sociais que há séculos vêm atormentando a população mais carente de nosso país. Investir na educação daqueles que possuem recursos abundantes e deixar à própria sorte os que necessitam apenas de uma oportunidade é, não restam dúvidas, legitimar essa desigualdade, além de ser uma violência contra a geração dos mais carentes.

O baixo nível educacional perpetua escolhas mal feitas e perpetua a pobreza. Permite que, aqueles que não têm recursos, tenham poucas perspectivas de alavancarem suas vidas. É lamentável os que mais precisam são os que sofrem com o descaso, com a indiferença, por parte dos que poderiam oferecer o mínimo de ajuda. Sequer buscam dar soluções aos problemas mais básicos que a população carente enfrenta. Abandonam os pobres nos corredores de hospitais públicos, que não oferecem qualquer infraestrutura, e em escolas sem professores, material ou mesmo condições mínimas para os alunos competirem em um mercado de trabalho desleal.

A educação e a saúde em nosso país são de abismos extremos para os que têm recursos e para os que não têm. De um lado, vemos as escolas de alta performance e os serviços de saúde de altíssimo nível prestados aos que podem pagar por eles. Do outro, vemos o desprezo e o descaso para com os que necessitam do serviço público, que morrem a espera de uma oportunidade de receberem uma educação de qualidade e um serviço de saúde digno.

Há muito o que se mudar no país que é um dos mais desiguais do mundo. Há muito o que se fazer para que possamos efetivamente dar o título de democracia sólida ao nosso país. É preciso lutarmos e exigirmos que se ofereçam aos que têm diariamente seus direitos de cidadão vilipendiados na mais completa miséria, saúde de qualidade, educação de qualidade e oportunidade para a sociedade brasileira ser valorizada.

Newsletter

Assine a nossa newsletter:

Notícias da AELB

Publicada a "Carta de Notícias" do mês

05/04/2018 19:16
Clique aqui e se informe.

Edital de Convocação para dezembro 2017

17/11/2017 10:43

Itens: 1 - 2 de 37

1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>