Se gritar "Pega ladrão!", não fica um...

23/08/2016 23:07

SE GRITAR "PEGA LADRÃO!", NÃO FICA UM!...

                                                    Acad. Emérito Pedro Luís de Araújo Braga

 

A letra de uma antiga música de pagode —“Reunião de Bacana”—, a mais conhecida e tocada do repertório de Bezerra da Silva, um compositor, instrumentista (tocador de zabumba) e cantor pernambucano já falecido, que deixou o Recife e veio morar no Rio de Janeiro, no Morro da Catacumba, parece-me adequada para caracterizar o deprimente quadro moral por que passa a nossa Pátria.

Estou certo de que o “Rei do Coco”, como era ele apelidado, ao compor tal canção, não imaginava que coisa muito mais séria ainda viria a acontecer em nosso país.

Mas, alguém poderia perguntar: Gritar onde? Que local está infestado assim de ladrões?

Pelas notícias dos informativos de rádios e TVs e pelas manchetes quase que diárias de revistas e jornais, muitos não hesitariam em responder: “É na Petrobrás!”; outros: “É no Congresso!”, ou “nos Partidos Políticos!”; muitos, ainda: “É no BNDES”!, ou” É nos Correios!”, ou “no Fundo de Pensão A!”, ou “no Governo do Município X!” ou “no do Estado Y!”. Até “no Tribunal de Contas Z”... Está em  toda parte, então, pelo efeito contagiante que tem.

A verdade, excluindo-se alguns exageros, é que foi montado um complexo político – empresarial criminoso para, agindo ordenada, descarada e sistematicamente, roubar o nosso dinheiro, pois são as nossas contribuições, os nossos impostos, normalmente dos assalariados que não sonegam, eis que descontam na fonte os elevados tributos que incidem sobre seus salários, que formam parte do fundo de onde saem as propinas. E muitos há que ainda fazem verdadeiros empréstimos ao governo, uma vez que, todo ano, ao fazerem a sua declaração obrigatória, constatam que pagaram mais do que o devido e, então, têm algo a receber em restituição. Porém corrigido em percentual inferior ao que cobrariam os bancos, como juros, pelo empréstimo de igual quantia.

E a sofisticação do pagamento dessas propinas foi-se aperfeiçoando a tal ponto que houve empresa que chegou a criar, em sua estrutura organizacional, um departamento especializado em falcatruas. O clímax que atingiu essa inacreditável conduta veio a ser revelado agora, para administrar tão presumível volume de dinheiro: a criação de um banco, em um desses “paraísos fiscais”! Que ousadia! Que máfia!

Empresas de porte, integradas por profissionais capazes e criativos que projetam e executam grandes obras, aqui e alhures, decantadas à larga por suas segurança, qualidade e beleza, têm sua razão social manchada por tão repelente prática!

Muitos só sabem falar, hoje, em milhão de dólares, como se este valor fosse a unidade monetária, enquanto o povo, perplexo e miserável, fala em unidades de reais...

Vivemos agora, então, assustados, em um ambiente onde pululam corruptos e corruptores, uns frutos dos outros. E dentre eles aparecem diretores, executivos, tesoureiros, fiscais, auditores, controladores, fornecedores, etc.

Mas, e são tantos assim?

Basta observar que, a cada dia, são anunciados novos nomes, incluídos no rol dos denunciados e postos sob observação. Há cerca de dois meses, jornal de grande circulação e igual credibilidade, em seu editorial, afirmou que hoje só não se encontra corrupção onde não se a procura. Que desonra! Que humilhação!

Paralelamente, descobrem-se chicanas e ardis, diversas invenções para fugir a diligências, posterga-las, escapar de suspeitas e de investigações, ou para comprometer também outros—em geral, patifes que tudo fazem para se cobrir, ou para não caírem sozinhos, se não houver outra forma de safar-se— mas tentando reduzir o prazo de condenação. “Sempre se fez assim”, é o argumento velhaco de muitos, que se mostram cinicamente, como se vestais fossem, mas agindo com a maior desfaçatez e a mais repugnante falta de caráter. Também há ainda alguns que, despudoradamente, com a maior ousadia, criticam, acusam, vociferam, fingem-se indignados , porém estão sempre a lembrar aos seus interlocutores: “... mas olha o meu, hein!”

Será verdade, de fato, tudo isto? Não estaria exagerando o autor? Ao contrário, aqui está um pequeno retrato do que ocorre hoje, capaz de deixar perplexo e assustado qualquer cidadão de bem. É que o padrão moral do povo atingiu os mais baixos índices! Porque desprezaram-se , nas escolas, os estudos de Moral e Cívica. Porque o exemplo vem de cima, em todos os escalões, esferas, níveis e instituições! Porque vivemos no país do “Faz de Conta”, ou na pátria do “Quero o meu”.

De vez em quando defrontâmo-nos com notícias de que, em um país, seguramente não bolivariano ou comunista, mas do 1º mundo, autoridades ou pessoas gradas, colocadas apenas sob suspeita de malversação de fundos ou de práticas ilícitas, deixam seus cargos ou funções “sponte sua”. E há algumas até que, envergonhadas, dão cabo da própria vida.

Há países árabes nos quais o ladrão tem sua mão decepada, como pena ou castigo. Alguém, ao saber disso, ironicamente vaticinou: “Se a lei aqui valesse, o País teria uma multidão de manetas!...”

Que vergonha! Que tristeza! Assim é a nossa Pindorama apresentada hoje na imprensa internacional. Não adianta tentar esconder isto. É a realidade!

Que Deus tenha misericórdia desta Nação, pois só ela é eterna! Felizmente temos disponíveis, para gáudio nosso, muitas personalidades assaz honradas e patriotas, até em passado recente, capazes de servirem de exemplo às gerações coevas.

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