Turma do “rolezinho”, turma do “ralezinho” e a igualdade de oportunidades dentro das forças armadas

30/04/2015 17:58

Turma do “rolezinho”, turma do “ralezinho” e a igualdade de oportunidades dentro das forças armadas

* Por Rubens Teixeira

Todos já sabem e já foi incorporada à paisagem do Brasil, na mente de muitos componentes da elite brasileira, que somos um dos países mais desiguais do mundo. Nos discursos políticos, há referências repetidas à falta de hospitais, escolas e infraestrutura. Todos sabem que saúde e educação no Brasil são problemas apenas para quem não possui recursos. Temos escolas, universidades e hospitais de padrão internacional em nossa terra. Basta ter dinheiro para pagar por isso.

Para pobres, não há serviços adequados de saúde, educação, defensoria pública e qualquer outro que precise de recursos financeiros para se usufruir. Os pobres sempre foram excluídos, apenas não tinham referenciais tão claros do quanto seus direitos eram violados. Não tinham noção plena do quanto a pobreza limita seus direitos e suas perspectivas. A integração mundial, por meio da internet, ajudou os pobres a penetrarem virtualmente de maneira mais eficiente no mundo dos ricos e, com isso, a saberem exatamente o que fazem, o que têm à disposição e até mesmo o que pensam dos pobres.

Qualquer iniciativa do governo de tentar ajudar as pessoas de baixa renda soa mal e é combatida por setores da mídia e da classe média e alta. Programas para resgatá-las seriam eleitoreiros na visão de muitos. Os filhos dos pobres têm uma educação de baixa qualidade e depois são jogados na competição com os superpreparados filhos das pessoas de maior renda. Sem êxito, são desclassificados e até discriminados quando estudam em uma faculdade com nome não chancelado pelas elites.

A desigualdade social que alimenta a desigualdade de oportunidades é um problema que, se não resolvido, vai embaraçar o desenvolvimento do Brasil. Não adianta termos forças do Estado apenas para confinar pobres nos seus guetos, e garantir o bem-estar dos mais bem posicionados. Não adianta continuarmos tolerando falta de hospitais adequados nas periferias, e, sem solenidade, termos outros serviços de saúde de alto nível não acessíveis a todos.

A questão é que no octógono (ringue do UFC) da vida social brasileira as regras sociais são frágeis: pode-se esfolar bastante o mais fraco, enquanto o mais forte está sempre protegido e, muitas vezes, esbanjando de forma esnobe, insensível e iníqua. Se não for dada igualdade de oportunidades, nós perpetuaremos as diferenças existentes e continuaremos mantendo a nossa sociedade iniquamente desigual.

Quando fiz a Academia Militar das Agulhas Negras, curso de formação de oficiais combatentes de carreira do Exército, eu era filho de operário, e lá havia colegas filhos de oficiais superiores e generais. Havia filhos de empresários e pessoas bem sucedidas financeiramente na sociedade. Contudo, como estávamos sempre fardados e todos recebiam a mesma cota de matérias, roupas, equipamentos e uniformes, até a diferença de trajes era bastante atenuada entre os mais e os menos abastados. As dificuldades e critérios de avaliação eram os mesmos.

Os colegas sempre me tratavam bem e predominava a atitude de respeito e aceitação às diferenças. Esse tratamento que recebi e que procurei também oferecer aos meus colegas e amigos fazia com que nos sentíssemos bem, motivados e dávamos o nosso melhor nos exaustivos exercícios que fazíamos. Afinal a vida de cadete é bem cansativa e acelerada.

Essa imagem de igualdade é tão viva na sociedade que, certa ocasião, um colega civil se aborreceu no trabalho e, em tom de repúdio a atitude do outro respondeu: “então vamos todos aqui colocarmos um boné e uma bota e seremos todos iguais, como é no Exército”. Embora com o tom crítico e, de algum modo, pejorativo, este colega deixou evidente que acreditava que no Exército todos tinham o mesmo tratamento.

Esta certeza do tratamento igualitário que tive no Exército refletiu no agradecimento público que fiz em um pronunciamento na X Convenção da ADESG:https://www.youtube.com/watch?v=zWTqLysOUVE

O tempo passou e precisei, por circunstâncias de saúde da minha família, deixar o serviço ativo, mas não perdi a amizade e nem o contato com os colegas, dos quais muitos atualmente são comandantes de Organizações Militares em todo o Brasil. O tratamento que recebo hoje deles é o mesmo que recebia quando era cadete. A vida tomou outra conformação, ocupei outros cargos, funções, posições, mas nem eu me tornei maior do que eles e nem eles maiores do que eu. O respeito, admiração e companheirismo são os mesmos. Já encontrei colegas, em minhas missões, tanto no exterior quanto em diversas regiões do Brasil, sempre com a mesma alegria de estarmos juntos. Quando assumem o comando de Unidade, sempre que posso, compareço, ou mesmo envio representante. Também eu os convido para estarem comigo e procuro prestigiá-los sempre que posso. Afinal, são meus amigos, irmãos e brasileiros no cumprimento de suas missões em prol do nosso país.

Essa visão modelar do Exército, e das Forças Armadas, faz com que os militares, mesmo que eventualmente sofram algumas limitações, não sejam instados a este tipo de levante social, como o “rolezinho” porque lá existe hierarquia, mas não têm “ralezinho”: o hospital e o colégio militar da família do general são os mesmos da família de todos os militares.

A minha sugestão para a turma dos “rolezinhos”, formada, em sua maioria, por jovens pobres da periferia, ou outros que se sentem discriminados, sem oportunidades ou injustiçados, é que estas pessoas, mesmo que se sintam excluídas por qualquer outro sentimento, aproveitem as válvulas de escape que tiverem e estudem, lutem contra o preconceito e a injustiça sem o uso de violência. Mantenham a autoestima elevada e acreditem que podem mudar o quadro de suas vidas. Fiquem certos que ninguém fará de vocês “ralezinhos” se vocês não permitirem. Para isso, vocês precisam vencer sem violência ou qualquer outro comportamento que ponha em risco o futuro, a dignidade ou a integridade física de vocês. Vocês são tão brasileiros quanto os demais jovens da idade de vocês. O país é de todos, não de alguns. Para assumirmos nossa fatia, precisamos lutar, perseverar, ter fé e vencer. Sugiro que assistam a esta palestra:https://www.youtube.com/watch?v=7gLXn0g4Kzg.

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