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Deus parece demorado e atrasado no calendário da nossa dor

Acad. Erlie Lenz César Filho (Cad. 01)


Deus parece demorado e atrasado no calendário da nossa dor


Onde estão suas manifestações de justiça, poder e graça que ainda não nos alcançaram ?

Muitos homens e mulheres de Deus podem correr o risco de terminarem esse ano de 2019 ainda com expectativas frustradas diante de Deus.

A pressa ou a impaciência do homem é a causa dessa expectativa frustrada

A dor e a aflição, da mesma maneira com que fizeram Maria Madalena confundir o Jesus ressurreto com um jardineiro, ainda provoca uma leitura distorcida dos fatos ao nosso redor, uma interpretação exageradamente humana da vida, não levando em consideração os desígnios soberanos de Deus. Nesses momentos de crise e com o coração corroído pela ação avassaladora do tempo e das muitas orações sem respostas, concluem no seu intimo que a mão do Senhor está encolhida ou, surdo o seu ouvido, o que não é verdade (Is 59.1).

Deus nunca falha e nunca se atrasa. Deus não precisa correr porque não está dentro do tempo. Ele age na hora certa, segundo seus desígnios e propósitos. Deus não está sujeito á pressão de uma folhinha. Ele não tem falta de tempo, nem imprevistos, nem impedimento, nem indisposição, nem a mania de procrastinar. Ele é Deus e não homem.


Raciocínio humano

Tanto Marta quanto Maria disseram a Jesus: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11.21,32). Em outras palavras, elas estavam dizendo que Lázaro morreu porque Jesus, embora avisado da grave enfermidade do amigo, “ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6). Mas Jesus não se atrasou nem deixou de arrancar Lázaro da putrefação e da sepultura. Ele mostrou às duas irmãs a glória de Deus.

É por isso que as Escrituras Sagradas tomam todo o cuidado ao afirmar que a demora de Deus é apenas uma questão de aparência: “Não fará Deus aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defende-los?” (Lc 18:7)


É preciso esperar

Aos que estão no tempo da espera e “ainda” passando por expectativas frustradas, há o consolo que todos os personagens bíblicos, poderosamente usados por Deus, passaram de igual modo por esse vale.

Entre a promessa de um filho e o nascimento de Isaque, Abraão e Sara esperaram vinte e cinco anos. O pai da nação judaica uma vez se queixou: “Senhor Deus, que me haveria de dar, se contínuo sem filhos?” (Gn 15.2).

O próprio Isaque orou por sua mulher que, à semelhança da sogra, também era estéril, mas ela só concebeu vinte anos depois de casad (Gn 25.19-26).


Uma demora educativa

O propósito de Deus não se limita a suprir as nossas necessidades e a quebrar os nossos galhos. Deus sempre tem um programa educativo em curso. E para alcançar esse objetivo, ele não se transforma em uma máquina cheia de botões que o homem aperta de acordo com as suas necessidades, para receber em seguida o que solicitou. Nem sempre Deus dá ao homem o que ele pede. Ele modifica as orações, torna-as mais justas. Ele não se assemelha ao pai que satisfaz todos os caprichos de seu filho, em nome de um falso amor e por comodidade. A dolorosa e terrível “demora” de Deus disciplina, corrige, treina, forja a fé no calor da batalha e habilita o homem para responsabilidades maiores. Veja-se o exemplo de Abraão – depois de tanta espera, depois de algumas cabeçadas, depois de várias concessões, depois de vinte e cinco anos, o homem está maduro, aprovado e disposto até a sacrificar o próprio e custoso filho. O Senhor mesmo lhe declara: “Agora sei que temes a Deus” (Gn 22.12).

Uma das maiores bênçãos de Deus é exatamente aquilo de que o homem mais se queixa: a sua aparente demora.


A demora não é de Deus

O mais sensível de todos os profetas angustiava-se com a demora de cura espiritual de Sião: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jr 8.20).Deus não é o culpado por essa demora. Ele é o Salvador, é verdade, mas o paciente encontra-se amarrado demais, teimoso demais, cego demais, orgulhoso demais. A salvação exige a participação do pecador e este é demorado.

Para não ser destruído como Sodoma e Gomorra, Ló foi retirado de lá quase à força: “Como se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhes o Senhor misericordioso, e o tiraram e o puseram fora da cidade” (Gn 19.16). O próprio Saulo foi apressado por Ananias em Damasco: “Por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados” (At 22.16). O filho pródigo precisou sair de casa, desperdiçar todos, passar fome e humilhação, para, depois de tudo, confessar-se pecador e voltar para casa (Lc 15.11-24). Israel gastou alguns séculos para curar-se da idolatria e da poligamia.

“Eu é que sei que pensamentos tenho a respeito de vocês, diz o Senhor. São pensamentos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e uma esperança (Jeremias 29:11)


Acad. Erlie Lenz César Filho (Cad. 01).

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