Buscar
  • AELB

“Bíblia: O Livro da Libertação”


Introdução


Jesus Cristo é a figura central da Bíblia. A maior parte das profecias bíblicas O traz como tema. A Palavra de Deus - desde a criação em Gêneses, até Apocalipse - afirma que O Remidor é Aquele por meio de quem tudo se fez e por quem tudo subsiste. O termo “remidor” refere-se àquele que redime, que salva, liberta da escravidão, redentor (REMIDOR, 2019). Desse modo, o plano salvívico, facilmente admitido como plano da libertação, constitui-se como um dos cernes da Palavra de Deus:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.16-18).


A Criação


No ato da criação Deus criou os céus, a terra e tudo o que neles há. Nesse contexto Ele criou todos os seres e, todas as formas de vida com perfeição declarando ao final de cada etapa: “Eis que tudo é bom” (Gn 1.21, 25, 31); “...disse Deus: ‘Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança’” (Gn 1. 26) e por fim constatou que “tudo quanto fizera... era muito bom”(Gn 1.31).

Deus havia criado o homem e a mulher perfeitos e semelhantes a Ele em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.24). Deus lhes ordenou que se multiplicassem e sujeitassem as demais criaturas. Adão e Eva desfrutavam do grande privilégio de ter uma comunhão perfeita com o Criador. O Senhor os fez com o propósito de ter com eles um relacionamento profundo de amor, o qual incluiria a liberdade de escolha do Senhorio Divino, proporcionando-lhes a verdadeira felicidade.

Entretanto, o inimigo de nossas almas conseguiu persuadir o casal a desobedecer à determinação dada por Deus de não comerem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, uma vez que se o fizessem morreriam. É necessário salientar que diante de uma diversidade de árvores e alimentos, tendo em vista que as coisas proibidas tornam-se desejáveis; a curiosidade despertou o desejo de Eva que acreditou ser aquele fruto bom. O veneno de Satanás foi a sugestão para tal desobediência, que poderia ter sido acatada ou rejeitada. Ponderar poderia ter sido ainda um recurso melhor direcionado por Eva, que optou por questionar a veracidade da ordem de Deus, e não das propostas lançadas pela serpente. Em decorrência dessa ação ocorreu a queda, que levou a humanidade ao cativeiro do pecado.


A escravidão do pecado


1. A perda da comunhão com Deus


Comunhão com Deus significa uma ininterrupta luta contra a escravidão do pecado. De todas as criaturas de Deus, ao que saibamos, só o ser humano usa vestes, distintivo de nossa natureza pecaminosa.

Havendo quebrado a lei de Deus, Adão e Eva sentiram-se envergonhados na Sua presença, pois tomaram consciência da sua nudez; “esconderam-se” (Gn 3.8b), apartaram-se de Deus, porque o pecado é uma incomparável tragédia, uma tristeza permanente, consiste na transgressão aos mandamentos de Deus. Trata-se da dissolução da aliança humana com o Altíssimo,decorrente da subordinação ao pecado.

Antes, é possível que estivessem envolvidos na etérea luz de Deus, como Jesus quando foi glorificado (Mc 9.3). A luz que se desvaneceu com a entrada do pecado, e que voltará um dia, a envolver os remidos (Ap 3.4; 21.23).


2. A separação de Cristo


Os que não forem achados escritos no Livro da Vida e do Cordeiro de Deus, que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8.b), estarão separados do Verbo Vivo de Deus para todo sempre, uma vez que não aceitaram a morte redentora de Cristo para salvação de toda humanidade, como fora determinado por ocasião da queda. É a semente da mulher, que veio para salvar e esmagar a cabeça da serpente (Gn 3.15).

Até então, Adão e sua mulher eram sustentados pela Palavra de Deus, ao rejeitarem-na, concomitantemente, rejeitaram o Verbo, que é Cristo. Ele se fez carne e habitou entre nós; é Ele quem tem todos os nomes escritos na Sua presença, e devemos nos empenhar para que lá esteja registrado o nosso nome.


3. Na escravidão do pecado, o espírito do homem ficou em estado de morte


O espírito é vivificado pela vida que Cristo lhe comunica (Rm 8.9,16). Destituído do Espírito Santo, o espírito do homem passa ao estado de morte espiritual. Foi o caso de Adão e Eva, ao pecarem.Todo pecado tem a sua justa punição e essa deve ser a preocupação de cada cristão. O salário do pecado não sofre modificação, ele continua sendo a morte (Rm 6.23).

Conforme a afirmação de Agostinho: “A morte é, para o justo, um porto de salvação; mas aos olhos do culpado, assemelha-se a um naufrágio” (R.R Soares, 1993).


4. Com a queda veio a escravidão do pecado e a perversão da natureza moral


O ser humano foi forjado com o caráter de Cristo, porém com a queda esse mesmo caráter foi denegrido e forjado pelo maligno: o qual dele fazem parte os devassos, os idólatras, os adúlteros, os efeminados, os sodomitas, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os maldizentes, os roubadores. Segundo 1Coríntios 6. 9-10, nenhum desses herdarão o Reino de Deus. Enquanto escravo do pecado e de Satanás, o homem torna-se sujeito às enfermidades, e como resultado, às mortes espiritual e física.

O apóstolo Paulo em Romanos, no capítulo 1, do versículo 18 em diante _ demonstrando um vasto conhecimento sobre a história humana e sobre os efeitos indescritíveis que esse evento produziu em termos qualitativos e quantitativos na esfera moral _ mostra um quadro clínico da baixeza humana através dos tempos, e a ira de Deus sobre os desobedientes:

“A ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça... Tais homens são por isso, indesculpáveis; porquanto tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos... Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo à criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.18-25).


5. Uma das consequências do pecado foi a expulsão do Paraíso


“E (Deus) havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3.24).

O anjo do Senhor, com uma espada na mão, vigiava a entrada do Éden para impedir o retorno do casal decadente até esta árvore, preservando-os para a redenção eterna. A queda, através da concupiscência da carne e da soberba da vida, foi um ato de infração consciente, que atingiu a todos, porque o pecado do casal não ficou restrito somente a eles como indivíduos, mas sim, a toda humanidade, pois eles eram os seus representantes. Em Adão e Eva estava a origem da espécie humana; neles todos pecaram, neles todos foram aprisionados e todos morreram.

O declínio do pecado, em detrimento da desobediência seguiu o seu rumo assolador. O homem distancia-se do ideal divino, cuja centralidade compete a Deus e, buscando autonomia, rebela-se contra o Criador. Curioso é que mesmo ambicionando desconstruir-se, isso seria impossível pelo fato de a imagem de Deus ser inerente a ele. Essa afirmação pode ser atestada pela observação da busca humana constante pelo avanço do conhecimento científico, tecnológico, cultural e social. Evidencia-se que os prováveis benefícios descobertos, que prometiam tanto bem à humanidade, em sua grande maioria, tornam-se perniciosos, uma vez que o homem caído é imperfeito, sendo constantemente atraído pelos próprios interesses.

Deus expulsou Adão e Eva do paraíso por um só pecado, desse modo não permitirá que atravessemos os portões da eternidade com inúmeros pecados, a menos que apelemos para a expiação do nosso Senhor Jesus Cristo.

O único Deus libertador

Libertação é um tema relevante em todas as eras, portanto é um tema contemporâneo que diz respeito ao que precisa ser vivido pela sociedade como um todo, mas muitos depreciam, aviltam, ignoram e coisificam esse tema.

A todo custo o ser humano tenta inconscientemente libertar-sede suas amarras espirituais, emocionais, físicas, etc. Todavia pelo seu próprio esforço é impossível, isso só se dá mediante a salvação em Cristo Jesus. Na Bíblia esse é um tema primordial; podemos encontrar libertação de diferentes tipos:libertação espiritual, libertação da escravidão e da opressão de outros povos,libertação de doenças físicas e emocionais. A opressão surgiu como resultado da maldição do pecado no mundo. A libertação vem de Deus.


1. Libertação espiritual


O texto mencionado abaixo retrata com excelência a libertação espiritual através da salvação, sendo essa a força motriz da vinda de Cristo, que veio para nos desvencilhar de todos os grilhões que têm por objetivo nos separar Dele:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Eles responderam-lhe: ‘Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como podes Tu afirmar que seremos libertos?’ Jesus explicou-lhes: ‘Em verdade, em verdade vos asseguro: todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. Assim sendo, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres’” (João 8. 32,33,34 e 36).

Para entender os versículos citados acima, é necessário uma contextualização com o período proposto. O povo de Israel fora escravizado por sete nações, conforme registrado no livro de Juízes. As dez tribos do Norte foram levadas cativas para a Assíria, enquanto as duas tribos do Sul passaram setenta anos no cativeiro da Babilônia. Uma vez que no momento descrito, os judeus encontravam-se sobre o domínio de Roma, a interpretação de que os descendentes de Abraão jamais haviam sido escravos era claramente falsa e poderia ser refutada pelos próprios relatos das Escrituras do Antigo Testamento. Portanto, ao ler os versículos acima, tendo em vista o relato atual, não é possível a compreensão de que Jesus falava de liberdade política, mas sim de liberdade espiritual.


2. Libertação da escravidão e da opressão de outros povos


Questões como a singularidade do Deus criador e mantenedor de tudo o que existe e a habilidade de Deus em livrar do perigo o povo escolhido continuam a ser objeto de ênfase bíblica.

Atestando o que foi dito, verifica-se no livro de Êxodo a saída do povo de Israel do Egito, em que Deus, com Sua mão Forte, enviou as pragas e através da figura de Seu servo Moisés, libertou Seu povo da escravidão.

É possível citar, entre outros, o livro de Juízes (período compreendido de 1375 a 1050 A.C) no qual a libertação perpassa gerações, uma vez que os israelitas pecavam constantemente contra Deus, arrependiam-se e recorriam ao Senhor, que enviava juízes para liderar o seu povo à libertação. Podemos citar: Otniel – libertou os israelitas da opressão dos mesopotâmios; Débora – libertou o povo de Israel dos cananeus; Gideão – libertou seu povo dos amalequitas, midianitas e “dos povos do oriente”; já Sansão – libertou-os da opressão dos filisteus...


3. Libertação de doenças físicas


Conforme retratado em Números 21, o povo de Israel no deserto pecou contra Deus, em consequência Deus enviou serpentes ardentes e muitos pereceram. Em ato de humilhação, o povo pede que Moisés interceda em favor deles ao Senhor. Sobre orientação divina, Moisés confecciona uma serpente de metal, levantada em uma haste; todos que olhavam eram curados e mantinham-se vivos.

“Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia” (Nm 21.6-9).

O amor de Deus é fonte de cura, de libertação de doenças físicas: Umhomem que tinha uma enfermidade por trinta e oito anos, pegou sua esteira e afastou-se um homem saudável (João 5.1-17); Jesus colocou os dedos nos ouvidos de um homem que era surdo e tinha um problema de fala. Ele suspirou e disse: “Efatá” (abre-te), e os seus ouvidos abriram-se e ele pôde falar claramente (Marcos 7.32-35); Pedro disse a um homem que estava paralisado por oito anos, “Jesus o Cristo te cura. Levanta-te e faça sua cama. Então ele levantou-se imediatamente” (Atos 9.32-35).

O mesmo poder está disponível por meio Dele agora: “Porque eu sou o Senhor, eu não mudo” (Malaquias 3.6).


4. Libertação de doenças emocionais


A cura da alma é um processo que exige a intervenção de Deus. Para isso, Sua Palavra Santa e Poderosa assume papel fundamental no processo de cura interior e libertação. As feridas na alma podem resultar em doenças como a depressão, o transtorno de ansiedade, a síndrome do pânico, entre outros.

O profeta Jeremias representa muito bem a libertação de doença emocional, haja vista ter sido liberto da opressão por Deus, após ter vivenciadomomentos de grandes lutas espirituais e perseguições por parte das autoridades civis e religiosas de Israel por causa da Palavra de Deus. Ele tentou até fugir de seu chamado para ser profeta e, em seu desespero, reclamou com Deus por sofrer tão grande mal por ser fiel ao seu Senhor: “sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. Porque desde que falo, grito; clamo: Violência e destruição! Porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio para mim” (Jr 20.7b, 8). A depressão de Jeremias chegou ao auge; ele amaldiçoou o dia de seu nascimento: “Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho! Alegrando-o com isso grandemente” (Jr 20.14,15).

Mesmo tendo passado por tantas provas, grandes lutas e oposições, sofrendo períodos de angústia profunda e depressão pra cumprir seu ministério, Jeremias reconhecia o Poder da Palavra de Deus e o cuidado que Deus tinha com ele. Sabia que o Senhor poria fim àquela situação: “Mas o Senhor está comigo como um valente terrível; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão: ficarão mui confundidos” (Jr 20.11a).

Finalmente, os inimigos de Jeremias foram punidos, e o profeta teve sua vida preservada por Deus.

Conclusão

Dado o exposto, a Bíblia é o Livro que perpassa a história desde a criaçãodo mundo. Aborda o primeiro Adão, que pecando, levou a humanidade à escravidão do pecado; relata, sobretudo, Jesus Cristo, o segundo Adão, que teve sucesso onde o primeiro fracassou, e nos levou às regiões celestiais, através da redenção no calvário. O “homem Deus” sofreu e morreu como aconteceu com o primeiro Adão, e, sucede com toda a humanidade; mas ressuscitou e subiu aos céus, está vivo, para trazer vida e libertaçãoaos que Nele creem.


Acad. Antonieta Rosa Vieira

Cadeira 34


Referências bibliográficas


HOUSE, Paul R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2005.

REMIDOR.Dicionário Online de Português Aurélio. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/remidor/>. Acesso em: 27 ago. 2019.

ROSA, Antonieta. O julgamento Universal de Eva. Rio de janeiro: Jeová Nissi Editora, 2013.

SOARES. R.R. Morte: Para onde iremos?Rio de Janeiro: Graça Editorial, 2003.

0 visualização
  • instagram-logo
  • YouTube Social  Icon
  • Spotify ícone social
  • SoundCloud ícone social
  • Twitter Social Icon

© 2019 por Wittenberg